Destaques de Cannes 2017

Por ser o festival de maior destaque, aquele que acaba recebendo a maior atenção da mídia, passarei sem maior aprofundamento nos comentários dos filmes da competição principal. No apanhado que faz o crítico Roger Koza, a seleção de filmes que se viu refletida na premiação presidida por Pedro Almodovar exibe uma coleção de perversidades e relatos de como a sociedade anglo e eurocêntrica contemporânea está degenerada e desumanizada. No artigo, Koza questiona a Palma de Ouro “The Square” do sueco Ruben Östlund e os novos filmes de Andrei Zvyagintsev (prêmio do jurado); Yorgos Lanthimos (melhor roteiro); Fatih Akin (melhor atriz para Diane Kruger); e Lynne Ramsay (melhor roteiro e ator para Joaquin Phoenix).

No entanto, entre os outros vencedores, elogia “120 battements par minute” de Robin Campillo, vencedor do 2o. lugar, o grande prêmio do júri (além do FIPRESCI), com filme de temática LGBT que muitos achavam que seria o vencedor; como também não desgosta do prêmio de melhor direção para Sofia Coppola, por seu “O estranho que nós amamos”.

Voltando ao terreno de “mundo cão” ainda concorriam as novas entregas Michel Haneke e Sergei Loznitsa. Como o dissenso é sempre interessante, existem opiniões que dão sim valor a estes filmes mais cruéis: Dennis Lim adorou a sátira de “The Square”; Carlota Moseguí adjetiva “Loveless” como joia; Pablo Villaça reconhece e admira a repugnância de “The Killing of a Sacred Deer” e elogia (de forma mais moderada) “In the Fade“. Já o thriller “You Were Never Really Here” empolgou Eli Hayes;  Jessica Kiang se convenceu com o mordaz “Happy End“; e a brutalidade de “A Gentle Creature” impressionou Jonathan Romney.

Outros destaques na mostra principal recaem para mim na seguinte ordem de preferência: “The Day After” de Hong Sangsoo (que também apresentou, produtivo que é, “Claire’s Cinema“, fora de competência ); “Good Time“, de Benny e Josh Safdie; “Okja” de Bong Joon-Ho; e “Wonderstruck“, de Todd Haynes.

Indo agora para as mostras de menor impacto midiático, na “Um Certo Olhar”, em júri presidido por Uma Thurman, a vitória foi para o Irã, pelo filme “Lerd (Un Homme Integre)”, de Mohammad Rasoulof, mais uma denúncia de um sistema corrupto para alguns um representante do “pornô da miséria”, para outros um excelente estudo de personagem.

Mas foi o alemão “Western”, de Valeska Grisebach, que conquistou as críticas mais empolgantes. “Una audaz exploración de la naturaleza humana” (Manu Yáñez). Outro filme muito elogiado, inclusive vencedor do prêmio FIPRESCI da crítica, foi “Closeness”, de Kantemir Balagov: “Resulta instructivo comparar el film de Bagalov con Loveless o A Gentle Creature. La precisión del cineasta debutante (Balagov) consiste en singularizar en un espacio concreto y un tiempo específico su relato. La alegoría está destituida de plano, de tal forma que los personajes son tan importantes como la sustancia del relato.” (Roger Koza).

Ao longo desta mostra, destaca-se o brasileiro “Gabriel e a Montanha“, de Felipe Barbosa (“Casa Grande”); o novo filme do ator-diretor francês Mathieu Amalric, “Barbara” ; a nova película do diretor de “Entre os muros da escola”, Laurent Cantet, “L´Atelier”; o pequeno drama argentino-chileno “La novia del desierto”; o filme argelino de episódios “Until The Birds Return“; a nova viagem de Kiyoshi Kurosawa, “Before We Vanish“; e o novo drama político de Santiago Mitre “La Cordillera“.

Nas demais mostras e fora de competição, foram exibidos ainda novos filmes de Claire Denis (“Un beau soleil Interieur“); Bruno Dumont (“Jeanette“); Agnes Varda, em codireção com o jovem JR (“Visages Villages“); John Cameron Mitchell (“How to Talk to Girls at Parties“); Takashi Miike (“Blade of the Immortal”); Raymond Depardon (“12 Days“); Claude Lanzmann (“Napalm“); Abbas Kiarostami (“24 Frames“); Sean Baker (“The Florida Project“), além das descobertas sulcoreanea “Ak-Nyeo”; venezuelana “La Familia”; italianas “A Ciambra” e “Sicilian Ghost Story”; portuguesa “A fábrica de nada”; inglesa “I Am Not a Witch”; e a exibição no cinema dos televisivos “Top of the Lake” e “Twin Peaks”.

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