Destaques nos festivais latinos BAFICI, Cartagena, Guadalajara, Fronteira, FICUNAM, Olhar de Cinema, Lima Independiente e Gramado

BAFICI

O maior festival argentino traz mais de 400 filmes que geraram repercussão em outros festivais, mas também tem mostras competitivas e é uma boa janela para vermos os futuros lançamentos do cinema argentino na mostra nacional. Na competência internacional, o vencedor foi o espanhol “Niñato“, de Adrián Orr, também exibido no Visions du Réel. Outros filmes premiados foram os já rodados “Viejo Calavera”, “Estiu 1993” e o nosso “Arábia” de Affonso Uchoa. Fora os filmes já conhecidos, reside interesse em outros filmes que também competiam como o doc familiar “95 And 6 To Go“; o uruguaio de humor ácido, “El Candidato“; e a entrega da Costa Rica, “Medea“.

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Na mostra argentina, o vencedor foi “La vendedora de fósforos”, de Alejo Moguillansky, que “logra a través de todos estos discursos proponer lecturas generacionales sobre el poder transformador, confrontacional o fallido del arte, todo en relación a la mercancia, en este caso el dinero, que como en algunos films de Bresson funciona como encadenante de la suerte de los personajes.” (Monica Delgado). O prêmio de direção foi para Toia Bonino por “Orione”, enquanto a menção honrosa foi para “Una ciudad de provincia”, de Rodrigo Moreno. Os dois foram elogiados pelo crítico Diego Lerer, que ainda destacou “Casa Coraggio”, “Los Territorios” e “Una Hermana”. Destaca-se também o prêmio de público para “Las Cinephilas“.

Mostrando que o Brasil está mesmo bem nos festivais internacionais, na mostra latinoamericana, a vitória foi para o retrato de um triângulo amoroso em “A cidade do futuro“, novo filme de Cláudio Marques e Marília Hughes. Já o prêmio de direção (e também o FIPRESCI dos críticos) foi para “Un Secreto en la Caja” de Javier Izquierdo, espécie de mockumentary sobre um escritor equatoriano.

A mostra Vanguardia e Gênero premiou filmes já comentados nesse blog, “Those Who Make Revolution Halfway Only Dig Their Own Graves” (grande prêmio); “Adiós entusiasmo” (melhor longa); e “Mimosas” (menção honrosa), que já veio elogiado desde Cannes 2016. Outros destaques dessa mostra eram o argentino “Toublanc“; o espanhol “Dhogs“; e o documentário de crime “Santoalla“. Esta mostra ainda premiou os curtas espanhóis “Nuestra amiga la luna”, de Velasco Broca” e “La disco resplandece”, de Chema Garcia Ibarra. Outros curtas elogiados pelos críticos da OtrosCines foram “Keep that Dream Burning” e “The Absence of Eddy Table”.

Mostrando que é um festival mesmo sem fim, outra mostra competitiva foi a de Direitos Humanos, que premiou filmes também já citados aqui: “Tonsler Park” (melhor filme), do experimental afroamericano Kevin Jerome Everson; e “El pacto de Adriana” (menção honrosa) – dois filmes muito elogiados por Diego Lerer. De novidade se destaca também o filme-resistência frente ao governo iraniano, “Drum” e o brasileiro sobre transsexualidade “Meu corpo é político“.

Ao longo da programação, destaca-se também ainda os três curtas vencedores na mostra argentina: “Querida Renzo”, “No aflojes, Miriam” e “Fiora”; o doc sobre a cantora mexicana lésbica “Chavala“; o doc argentino “La película de Manuel“; mais um representante da nova escola romena, “The Fixer“; os novos curtas de Jia Zhang-ke, Nanni Moretti, Nadav Lapid e Marco Bellocchio;  o cinema direto espanhol de “Vida Vaquera“; e o thriller sulcoreano “Asura“.

Catálogo completo do festival aqui.

Cartagena

O festival colombiano traz poucos inéditos, a maioria são filmes que já passaram em outras mostras. O vencedor desse ano foi o boliviano “Viejo Calavera”, a melhor direção e o melhor filme colombiano para “Adiós Entusiasmo”, o melhor documentário foi “Ejercicios de Memoria”, o prêmio FIPRESCI de crítica para “El Cristo Ciego” – em competição que ainda tinham os brasileiros “Arábia” e “Elon não acredita na morte”. “Aquarius” foi o vencedor da competição Gemas, com outros filmes de muito boa repercussão.

O curta vencedor foi “Cucli” de Xavier Marrades e “Cilaos” de Camilo Restrepo venceu uma menção honrosa.

Das poucas novidades, recai interesse para o documentário sobre uma trans de uma região religiosa “Señorita María, La Falda de la Montaña“, de Rubén Mendoza (vencedor da melhor direção colombiana).

Guadalajara

Na mostra nacional do festival mexicano, a vitória recaiu para “La Libertad del Diablo”, de Everardo González, “porque crea un retrato innovador, poético y a la vez aterrador sobre la violencia en México” – vencedor também entre os documentário e do prêmio de fotografia. Já a melhor direção ficou para Sofía Gómez Córdova, por “Los Años Azules“, “por lograr un retrato auténtico de la juventud contemporánea”.

Já na mostra iberoamericana, a vitória principal e os prêmios de atriz e roteiro recaíram para “Santa y Andrés” de Carlos Lechuga, “por mostrarnos una historia de amistad entre supuestos enemigos con poesía y humanidad en un universo usualmente conflictivo”.

Outros prêmios foram para: o brasileiro “As Duas Irenes” (melhor primeiro filme e fotografia); o dominicano “Carpinteros” (prêmio especial); e o peruano “La Ultima Tarde” (direção). Outro peruano, “Aya”, de Francesca Canepa Sarmiento, venceu o prêmio de curta-metragem. Já na mostra Maguey de filmes LGBTs, a vitória foi para o brasileiro “Corpo Elétrico”.

Fronteira

O festival goiano de filmes documentários e experimentais com uma curadoria caprichada deu para o inglês “Sleep Has Her House” de Scott Barley, o prêmio principal. Segundo o júri, “com meios extremamente pobres (um iPhone), o realizador soube elaborar, sem o recurso à palavra, um poema sonoro e visual siderante que coloca o espectador num estado de levitação, de feitiço salutar.”

O prêmio especial foi para o Equador. De acordo com o júri, “Território” de Alexandra Cuesta, tem “alguns fragmentos de paisagens bem observadas, repostas em cena nos seus mínimos detalhes, escrevem, sem discursos laboriosos, e com uma justa troca com os participantes, um documentário em frescor, tanto geográfico como social.”

Outros destaques residem para “Houses Without Doors“, registro sobre os imigrantes sírios na Armênia e os brasileiros “Baronesa” (último Aurora de Tiradentes) e “Subybaya”.

Entre os curtas a vitória foi para o colombiano “Sol Negro”, de Laura Huertas Milan; enquanto o prêmio especial foi para o argentino “Los (De)pendientes” de Sebastian Wiedman. Justificativa do júri aqui e catálogo da mostra aqui.

FICUNAM

Festival mexicano com excelente curadoria do crítico Roger Koza premiou este ano o experimental filme italiano “Os Bons Tempos Chegarão em Breve“, de Alessandro Comodin, que foi exibido no Festival do Rio de 2016. “Eldorado XXI” venceu a menção honrosa, “Rey” o prêmio de público e entre as novidades para mim, ainda foi exibido o austríaco “Brüder der Nacht“, cujo diretor Patric Chiha ficou com o prêmio de direção, e o dominicano “Tormentero” (prêmio da imprensa).

Na mostra mexicana, a vitória recaiu para “Ruinas tu reino” de Pablo Escoto. “Hay tiempo para el canto, la siesta, o observar el cielo inclemente mar adentro con rumbo al Golfo de México.” (Monica Delgado). Os filmes “Bosque de niebla” e “Casa Roshell” levaram menções especiais.

Olhar de Cinema

O festival curitibano concedeu seu prêmio principal para “El mar la mar”, já elogiado no Festival de Berlim. Entre as novidades, os premiados foram para o sírio “300 Milhas” (prêmio especial); os brasileiros “Navios de Terra“, de Simone Cortezão (menção honrosa de contribuição artística – não tão grande novidade, pois já tinha passado no Visions du Réel) e “Fernando“, de Igor Angelkorte, Julia Ariani e Paula Vilela (prêmio de público); o russo “Convicções” (Outros Olhares), de Tatyana Chistova; e o turco “Grande Grande Mundo“, de Koca Dunya (prêmio Abraccine da crítica).

Já circulando com repercussão em outros festivais, o chileno “Rey” levou menção honrosa e o doc indiano “Machines” ganhou o prêmio principal de contribuição artística; “Meu Corpo é Político”, o prêmio Olhares Brasil; o americano “Tonsler Park”, o Novos Olhares; o filipino “People power bombshell: the diary of Vietnam Rose”, uma menção honrosa).

Entre os curtas, os prêmios se dividiram para “La disco resplandece” (melhor filme); “Balança Brasil” (Olhares Brasil); e “A Rua Muda” (Mirada Paraense).

A crítica Monica Delgado fez parte do júri da mostra Outros Olhares e fez textos sobre os filmes da mostra aqui. Confira também catálogo da mostra.

Lima Independente

Como no Olhar de Cinema, “El mar la mar” também foi o grande vencedor deste festival peruano, que também premiou “Paris é Uma Festa” (menção especial); “El Operador”, de Diana Tupiño (melhor filme peruano – mostra essa analisada aqui); “Inefable”, de Yhan Chávez (menção especial peruana); e os brasileiros “Arábia” (melhor iberoamericano) e “Histórias que nosso cinema (não) contava” (menção iberoamericana). Entre os curtas, a vitória foi para o americano “Bad Mama, Who Cares” e a menção para o português “Um campo de aviação”.

Gramado

“Como Nossos Pais”, novo filme de Laís Bodanzky, foi o grande premiado da extensa lista de vencedores do festival, recebendo os prêmios de filme, direção, atriz, ator, atriz coadjuvante e montagem. O coming-of-age “As Duas Irenes”, exibido inicialmente em Berlim, teve ótimo destaque também ao ganhar melhor filme pela crítica, roteiro, direção de arte e ator coadjuvante. Outro destaque foi o falso-documentário “Bio”, de Carlos Gerbase, vencedor de melhor som, prêmio especial do júri e do júri popular. Somam aos principais vencedores, o argentino “Sinfonia Para Ana”, de Virna Molina e Ernesto Ardito (melhor filme estrangeiro); e os brasileiros “A Gis”, de Thiago Carvalhaes (melhor curta) e “Secundas”, de Cacá Nazario (melhor curta gaúcho).

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