20a Mostra de Cinema de Tiradentes: reunião de textos

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Infelizmente, dessa vez só acompanho a mostra de Tiradentes de longe. Esse post serve para reunir comentários sobre o evento que este ano homenageia Helena Ignez e Leandra Leal, divinas divas de diferentes épocas do cinema nacional. Aqui, vou dar preferência aos comentários de filmes inéditos, sobretudo os concorrentes ao prêmio Aurora, que laureia diretores estreantes.

Cristiano Burlan, diretor de “Mataram Meu Irmão”, trouxe uma obra ainda em progresso, uma interessante maneira de exibir o filme antes de estar pronto. Em “Antes do Fim”, Helena Ignez divide a cena com outro mito, Jean-Claude Bernadet. Segundo Marcelo Ikeda, “o filme propõe um arremedo de narrativa, ligado ao suicídio dos personagens. A proximidade da morte está presente no próprio corpo desses atores, ambos com quase oitenta anos. O modo como Burlan trabalha os rostos e corpos dos atores enfatizando essa passagem de tempo é um dos mais fortes motores da dramaturgia”.

Abrindo a mostra Aurora, “Baronesa”de Juliana Antunes mostra dispositivo parecido com o excelente “A Vizinhança do Tigre” (vencedor de Aurora de 2014) – seu diretor, Affonso Uchoa, é inclusive o montador deste – no acompanhamento da periferia mineira de maneira docudramática; desta vez, sob a perspectiva de mulheres. Surgiram certas críticas sobre como é feita essa abordagem: “Dar a ver a realidade das mulheres não constitui, imediatamente, um gesto de respeito e empoderamento dessas pessoas. (…) O cinema voyeurístico se esquece que quem o produz não verá com os olhos do espectador: fazer um filme junto com outro é também cuidar de respeitá-lo.”(Laís Ferreira).

Vencedor da última edição com “Jovens Infelizes” (ainda inédito no circuito), Thiago B. Mendonça trouxe “Um Filme de Cinema”, um filme infantil. Sem grandes entusiasmos, Marcelo Ikeda discorre: “é um filme singelo, bem costurado, que fornece um saudável entremeio em se tratando da filmografia desse diretor. Mas seu deslocamento em relação ao típico olhar para a Mostra Aurora me parece mais uma provocação do que de fato uma proposição de algo potente para o cinema brasileiro de hoje.”.

“Sem raiz”, de Renan Rovida, trouxe os seguintes elogios: “a narrativa observa suas personagens a uma espécie de meia-distância, permitindo que entrem em quadro os ruídos e “sujeiras” da metrópole. Por meio dessas histórias pessoais, delineia-se claramente o movimento sufocante, anônimo e onipresente do capital, a tornar precárias as relações e restringir os espaços para o desejo e o sonho.”(José Geraldo Couto)

No geral, os demais filmes da mostra Aurora foram bem questionados, natural para obras que se abrem tanto ao risco. “Subybaya” de Leo Pyrata foi considerado em seu discurso feminista, um filme autossufiente e medroso por Camila Viera e Laís Ferreira; no outro polo da retratação do feminino (uma constante na mostra desse ano), “Histórias que Nosso Cinema (Não) Contava”, de Fernanda Pessoa, foi visto com mais entusiasmo ao fazer um apanhado do cinema de pornochanchada dentro do contexto de ditatura. Muito interessante a matéria feita pelo jornal NEXO sobre o filme.

Aos moldes do documentário em cinema direto, “Corpo Delito” acompanha um presidiário que ganha o direito de sair da cadeia com tornezeleira mecânica. Em entrevista à rádio CBN, seu diretor Pedro Rocha explica sua intenções. Para encerrar a mostra, “Eu Não Sou Daqui” mosta um cinema intimista: “uma melancólica história que se descortina de maneira paulatina e sem qualquer pressa; pouco mais de uma hora de duração que não precisa mais do que isso pra ser bem direto na observação da relação entre dois seres, um velho e uma espécie de andarilho sem rumo, ser itinerante, ser pedinte”. (Francisco Carbone).

Sobram os curtas e a  curiosidade incide sobre esses: “O delírio é a redenção dos aflitos”, de Felipe Fernandes; “Aroeira“, de Ramon Batista; “Solon“, de Clarissa Campolina (co-diretora da obra-prima “Girimunho”); “Minha Única Terra“; “Vando Vulgo Vedita“, de Leonardo Mouramateus; “O Mais Barulhento Silêncio“, de Marccela Moreno;  “Hotel Cidade Alta“;  “” Ainda Sangro por Dentro“; “Estado Itinerante, de Ana Carolina Soares; “Abigail“, de Isabel Penoni e Valentina Homem; “Nunca é Noite no Mapa“, de Ernesto de Carvalho; “As ondas“; “Procura-se Irenice“; “A canção do asfalto” e “Restos“; “A Propósito de Willer“; “Gozo/Gozar“, de Luiz Rosemberg Filho;  “Vazio do lado de fora“; “O Chá do General“; e “Diamante, O Bailarina“.

Lista de vencedores:

Mostra Aurora: “Baronesa”, direção de Juliana Antunes.

Prêmio Helena Ignez: Fernanda de Sena, pela direção de fotografia do longa “Baronesa”.

Canal Brasil: “Vando Vulgo Vedita”, direção de Andreia Pires e Leonardo Mouramateus.

Prêmio Carlos Reichenbach da Mostra olhos Livres: “Lamparina da Aurora”, filme maranhense de Frederico Machado.

Mostra Foco: “Vando Vulgo Vedita”, direção de Andreia Pires e Leonardo Mouramateus.

Melhor longa eleito pelo júri da popular: “Pitanga”, direção de Camila Pitanga e Beto Brant.

Melhor curta pelo júri popular: “Procura-se Irenice”, direção de Marco Escrivão e Thiago B. Mendonça.

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